Gorduras Boas

Entendendo mais sobre as gorduras


Gorduras é sem dúvidas, um dos maiores tabus do emagrecimento atualmente, você vai entender por que a mídia, erroneamente, se empenhou tanto ao longo das décadas para dar má fama a elas. Nesse artigo vou abordar alguns fatos interessantes sobre o assunto que todos precisam conhecer.

Esse artigo, assim como o estilo de vida Paleo, bate de frente com o senso comum. Mas o senso comum nem sempre está correto, não é mesmo? Estamos escrevendo semanalmente para trazer conteúdo verdadeiro e que funciona de fato, não para massagear os ouvidos das pessoas com informações rotineiras. Então seguimos em frente!

Gorduras boas e más!

Você já ouviu falar na frase: “Você é o que você come?” Essa frase tende a nos fazer acreditar que se você come gordura, você engorda. E isso é um grande mito.

Se você ainda não leu o artigo sobre “Por que engordamos? INSULINA, a chave de tudo” (se ainda não ouviu, clique aqui, principalmente ligado aos carboidratos refinados, então saiba que não é bem assim, ok?

Gorduras são mais calóricas, sim. Ao contrário dos outros dois macronutrientes (proteína e carboidratos) com 4 kcal por grama, um grama de gordura tem 9 kcal. Mas, se utilizadas corretamente, não engordam. Pelo contrário, são importantíssimas para um emagrecimento saudável e um bem-estar geral!

Gorduras são suas amigas no emagrecimento, ao contrário do que é dito a rodo por aí! Acredite!

A ideia aqui é mostrar os tipos diferentes de gorduras que encontramos por aí. Logo, as gorduras podem ser divididas em 4 grupos:

Saturadas – Gordura animal e de óleos tropicais (óleo de coco, por exemplo)

Gorduras saturadas geralmente são sólidas em temperatura ambiente. São estáveis e são as melhores opções a serem usadas pra cozinhar.

A perseguição à gordura saturada

Em 1953 o Doutor Ancel Keys publicou um estudo que ligava o consumo de gordura animal (saturada) ao risco de doenças cardíacas. Isso levou a um medo generalizado do consumo de gorduras saturadas e abriu as portas do mercado para o consumo de margarina, óleos vegetais e óleos hidrogenados, e o resultado disso não foi nada bom!

Esse medo também foi um dos motivos para que a pirâmide alimentar fosse baseada em carboidratos e desenhada tal como a conhecemos hoje. O estudo se utilizou de dados de 6 países, porém, haviam dados de 22 países disponíveis. Ao analisar os dados de todos os 22 países, os cientistas concluíram que não só o estudo estava errado, como na verdade, os países com maior consumo de gordura saturada tinham um risco de doenças cardíacas MENOR. Que tal? Interessante não é mesmo?

Diversos estudos posteriores comprovaram esse fato. Entretanto, em 2010, a USDA (Departamento de Agricultura Norte-Americano), reduziu as recomendações de gordura de 10% para 7%! Completamente ilógico se você avaliar a maioria da informação científica disponível hoje. Ora bolas, o leite materno tem 54% de gorduras saturadas! Pense bem a respeito! Logo, o efeito disso foi desastroso.

Ao reduzirmos o consumo de gorduras saturadas, que são naturais e têm sido consumidas pela humanidade por milhões de anos, aumentamos o consumo de outras gorduras não tão amigáveis e aumentamos o consumo de carboidratos. Os resultados você já conhece, não é mesmo? Obesidade em massa! Diabetes! Problemas cardíacos! Triglicerídeos!

Ao nos apavorarmos de medo, nem sempre lembramos que, se você ingerir gorduras de menos, os efeitos sobre a sua saúde, boa forma e emagrecimento também são desastrosos!

Você precisa ingerir uma boa quantidade de gorduras saturadas para um perfeito funcionamento do seu organismo, para um funcionamento ótimo dos seus órgãos, sistema imunológico, ossos (auxiliam na absorção de cálcio), hormônios (inclusive para o sistema reprodutor).

Monoinsaturadas – Óleo de soja, girassol, canola, etc.

Nesta categoria estão a maioria dos óleos vegetais, que nós usamos de maneira questionável como óleo de cozinha, por exemplo.

Gorduras monoinsaturadas são geralmente líquidas à temperatura ambiente e são instáveis em altas temperaturas, o que as tornam menos próprias para cozimento. Também temos a possibilidade da hidrogenação industrial desses óleos, o que os transformam em fontes potenciais de gorduras trans. Evite a todo custo cozinhar com esses óleos.

A melhor opção nesse caso é consumir apenas o azeite de oliva extravirgem, em frascos de vidro, escuro, e prensado a frio. Mantenha o vidro em lugar fresco e escuro e tampe assim que utilizar pra evitar a oxidação. Lembrando que o azeite de oliva é sensível às altas temperaturas, logo, se for cozinhar com ele, tenha atenção a isso.

Poliinsaturadas – Gorduras essenciais

As famosas gorduras ômega!

São essenciais e nosso organismo não consegue produzi-las, logo, temos que obtê-las dos alimentos. Gorduras poliinsaturadas isoladas são altamente instáveis, se deterioram com facilidade e mantém a forma líquida mesmo dentro da geladeira. Devem ser manuseadas ainda com mais cuidado, caso você faça uso de suplementos de ômega 3, por exemplo.

O equilíbrio entre Ômega 3 e Ômega 6

No geral, todas as fontes de gorduras contém ao mesmo tempo, em proporções diferentes, gordura saturada, monoinsaturada e poliinsaturadas – essas últimas em uma percentagem menor.

Mas a chave aqui é o equilíbrio. A proporção de ômega 3 pra ômega 6 na nossa alimentação deveria ser de 1 pra 1. Se você se alimenta de alimentos processados, industrializados, fast-food, etc, no geral, significa ter uma alimentação mais rica de ômega 6 e pobre em ômega 3. Significa também um consumo excessivo de ômega 6 e de gorduras trans. Muita cautela! O excesso de ômega 6 anula os efeitos benéficos do ômega 3.

Alimentos de origem animal(carne, ovos, laticínios) de animais alimentados a base de grãos, podem perder esse equilíbrio também. Portanto, sempre que possível, opte pelo consumo de gado de pasto, galinha e ovos caipiras. A diferença no sabor é gritante também! Atente-se para os alimentos que são boas fontes de ômega 3! Peixes também são boas opções.

Trans – Margarina, óleo vegetais e gorduras vegetais hidrogenadas

É muito comum hidrogenar a gordura monoinsaturada pra que essa se torne sólida em temperatura ambiente. Isso deixa os alimentos mais sequinhos e crocantes e de aparência melhor. Por isso, gordura hidrogenada é altamente utilizada pela indústria alimentícia. Ah, eles também adoram combiná-la com farinha e açúcar e carboidratos simples pra você engordar de vez.

Porém, a gordura trans é realmente perigosa. Muitos estudos a ligam quase diretamente à maioria dos problemas cardíacos que temos hoje. É literalmente colocar moléculas de gordura instáveis nas paredes das suas células. Mesmo com os selos de 0% de gordura trans, eu realmente sugiro cautela com esses alimentos até que todas as nossas perguntas a respeito tenham sido respondidas. A indústria sempre tem suas artimanhas pra achar um caminho…

Pontos finais

Agora, com que você já sabe sobre gorduras, já vai ter condição de decidir quais as suas fontes! Mas e a quantidade? Numa dieta equilibrada, mantendo uma boa ingestão de proteínas e uma ingestão inteligente de carboidratos (o que vai te fazer comer uma boa quantidade de verduras e legumes), de onde vão vir as suas outras calorias? Pois é!

Você vai precisar de uma boa parte dessas calorias na forma de gorduras. Essa é uma peça que falta no quebra cabeça da maioria das pessoas que fazem reeducação alimentar. Com a ingestão adequada de gorduras, você deve se sentir realmente bem. Fraqueza e mal-estar é sempre sinal de que algo não vai bem!

  • Exemplos de boas fontes de gordura: Azeitonas, azeite, abacates, castanhas, nozes e sementes, gordura animal (carne, peixes, ovos, manteiga, queijo, leite), côco, óleo de côco, óleo de palma e macadâmia, assim como óleo de sementes, castanhas e nozes extraídos a frio.

  • Evite os óleos vegetais.

  • Gorduras tem, quase sempre, dois inimigos principais: Calor e processos industriais.

  • Orgânico, sempre que puder! Quanto mais natural, melhor!

O grande perigo está quando se combina uma grande quantidade de gorduras com uma grande quantidade de carboidratos de má qualidade, assim como nos fast food da vida, doces, bolos, etc. Esta, sim, é uma combinação terrível! Existem estudos suficientes pra não deixar dúvida alguma que dietas alimentares corretas ricas em gorduras boas são extremamente saudáveis.

Gorduras boas são essenciais pra saúde e também são ajudantes incríveis para quem procura emagrecer. Porém, não esqueça o outro lado da moeda, se você, ao mesmo tempo continuar com péssimos hábitos em relação aos carboidratos, isso não vai ajudar muito.

O que fazer? Simples. Escolha conscientemente alimentos que sejam fontes de gorduras naturais e boas! Consuma carboidratos com inteligência. Ao contrário das gorduras, existem também estudos científicos suficientes pra provar que os carboidratos NÃO são essenciais ao ser humano, inclusive, existem populações que comem ZERO carboidratos e são muito mais saudáveis do que 90% das pessoas.

Porém, o que eu sugiro, como você já sabe se acompanha o site, é que priorize carboidratos naturais, leves e nutritivos, como legumes, folhas e frutas em moderação. Evite massas, pães, farinhas, batatas em excesso, etc.

Outra coisa que você pode fazer é um exame de sangue agora antes de começar a alterar seus hábitos. Comece então a se alimentar naturalmente e de forma nutritiva e depois de alguns meses, refaça seus exames e veja a diferença!

Não acredite em tudo que saí na mídia. É como se diz por aí né, se você conta ou escuta uma mentira repetidamente, você acaba acreditando nela! É isso que a mídia e a indústria têm feito.

Olhe para as gorduras de forma diferente a partir de agora! E viva saudavelmente!

 

Referências:

The Fat. Of. The Land by. Vilhjalmur Stefansson.

Gordura sem Medo. Por que a Manteiga, a Carne e o Queijo Devem Fazer Parte de Uma Dieta Saudável – Nina Teicholz

The Forbidden Food You Should Never Stop Eating – Dr Joseph Mercola – as of 2011/09/01 on www.mercola.com

The Primal Blueprint by Mark Sisson

Body by Science by M.D Doug McGuff, John Little

http://emagrecerdevez.com/

About the author: Jair Ricardo

5 comments to “Entendendo mais sobre as gorduras”

You can leave a reply or Trackback this post.

  1. Marcela - 19 de setembro de 2018 at 16:30 Reply

    Gostaria de saber se é certo eu substituir o óleo de soja por gordura de porco pra cozinhar ?

  2. Jair Ricardo - 19 de setembro de 2018 at 16:33 Reply

    Eu particularmente prefiro cozinhar na banha de porco ou no óleo de coco, Marcela! Mas sempre que possível em fogo baixo, também. Jamais! use o óleo de soja na sua cozinha. Abraços.

Leave a Reply

Your email address will not be published.